Alerta: Muito mais gente pode ter pego o vírus Oropouche do que os números oficiais mostram
Pesquisa da USP aponta que 5,5 milhões de brasileiros já foram infectados — 200 vezes mais do que os casos registrados. Manaus está no centro da crise.

O que está acontecendo
Uma doença transmitida por mosquito pequeninho, quase invisível, conhecido na Amazônia como maruim ou mosquito-pólvora, está se espalhando pelo Brasil de forma muito mais intensa do que os dados oficiais revelam. É o que mostra uma pesquisa publicada esta semana na revista científica Nature Medicine, feita pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com outras universidades brasileiras e americanas.
Os números do Ministério da Saúde registram pouco mais de 26 mil casos da febre Oropouche nos últimos três anos. O estudo, porém, estima que o número real pode chegar a 5,5 milhões de brasileiros infectados desde 1960 — ou seja, os casos reais podem ser 200 vezes maiores do que o que foi oficialmente confirmado.
Por que Manaus é o epicentro
A capital do Amazonas viveu dois grandes surtos ao longo da sua história: um entre 1980 e 1981, e outro entre 2023 e 2024. A doença atingiu mais de 12% da população nas duas ocasiões, sempre com mais força durante o período de chuvas.
Um dado preocupante: análises feitas com doadores de sangue em Manaus mostraram que, em menos de um ano, a proporção de pessoas com anticorpos contra o vírus mais que dobrou, saltando de 11,4% para 25,7%. Isso significa que uma em cada quatro pessoas já teve contato com o vírus — a maioria sem sequer saber.
A doença saiu da Amazônia
O Oropouche não fica mais restrito à região Norte. Nos últimos três anos, casos foram registrados em todos os estados brasileiros, além de países do Caribe. Há registros também em pessoas que viajaram para a Europa e América do Norte e levaram o vírus na bagagem.
Fatores como o grande número de pessoas vivendo próximas umas das outras nas cidades e o transporte aéreo ajudaram a espalhar a doença para lugares onde ela nunca tinha chegado antes.
Uma versão mais perigosa do vírus
Em 2024, pesquisadores da Fiocruz identificaram uma nova versão do vírus Oropouche, chamada de “OROV BR-2015-2024”. Essa variante causou o maior surto já registrado na Amazônia e apresenta características que a tornam mais preocupante:
– Ela pode escapar da proteção de quem já teve a doença antes
– Estudos indicam que ela se multiplica mais rápido nas células humanas
O que é a febre Oropouche e como se pega
A febre Oropouche é causada por um vírus transmitido pela picada do maruim, um inseto bem menor que o mosquito da dengue, quase invisível a olho nu, muito comum em matas, beiras de rios e áreas úmidas da Amazônia.
Os sintomas são parecidos com os da dengue: febre alta, dor de cabeça forte, dores no corpo e nas articulações, náusea e sensibilidade à luz. Na maioria dos casos, a pessoa se recupera. Mas em 2024, o Brasil confirmou as primeiras mortes pelo vírus no mundo, e também casos em que grávidas transmitiram o vírus para o bebê ainda na barriga.
O que você deve fazer
– Se tiver febre, dor de cabeça intensa e dores no corpo após picadas de inseto — especialmente se morar ou tiver visitado áreas de mata ou de muita umidade — procure uma unidade de saúde
– Informe ao médico se esteve em áreas de floresta ou de rio recentemente
– Use repelente, especialmente ao amanhecer e ao entardecer, quando o maruim é mais ativo
– Grávidas devem ter atenção redobrada e consultar o médico diante de qualquer sintoma
A febre Oropouche tem tratamento de suporte e, na maior parte dos casos, evolui bem. Mas o diagnóstico rápido faz diferença. Não ignore os sintomas.
