💵 USD/BRL ... 💶 EUR/BRL ... 💴 JPY/BRL ... 🪙 BTC/BRL ... 💵 USD/BRL ... 💶 EUR/BRL ... 💴 JPY/BRL ... 🪙 BTC/BRL ...
Últimas Notícias

Terremotos devastam a Venezuela

Mais de 580 mortos e cerca de 40 mil desaparecidos; rescaldo, resgates e ajuda internacional — incluindo o Brasil

Manaus, 26 de junho de 2026

Dois fortíssimos terremotos atingiram a costa central da Venezuela na tarde de quarta-feira, 24 de junho de 2026, provocando o desastre natural mais grave registrado no país em mais de um século. Os tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas cerca de 40 segundos de intervalo entre si, configurando o que sismólogos chamam de “terremoto duplo”. O epicentro foi localizado no estado de Yaracuy, mas a destruição mais severa se concentrou no litoral, especialmente no estado de La Guaira, vizinho a Caracas.

Três dias após a tragédia, equipes de resgate de dezenas de países — entre eles o Brasil — seguem trabalhando contra o tempo em meio aos escombros, enquanto o governo interino venezuelano administra uma crise humanitária de proporções ainda não totalmente conhecidas.

O que aconteceu

O primeiro sismo, de magnitude 7,2, ocorreu por volta das 18h04 (horário local), a cerca de 23 km da cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, numa profundidade de 20,3 km. Em seguida, a apenas 39 segundos de distância, um segundo terremoto — este de magnitude 7,5 e considerado o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900 — atingiu uma área a 28 km a sudeste de Yumare, numa profundidade de 10 km.

Os tremores foram sentidos em diversos estados venezuelanos, incluindo Caracas, Carabobo, Aragua, Miranda, Trujillo e La Guaira, e chegaram a ser percebidos até na Colômbia. O abalo ocorreu durante um feriado nacional — a comemoração da Batalha de Carabobo — o que fez com que muitas famílias estivessem em casa, inclusive acompanhando partidas da Copa do Mundo, fator que segundo autoridades pode ter reduzido o número de pessoas em vias públicas, mas também concentrou vítimas dentro de edifícios residenciais que colapsaram.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classificou os dois eventos com alerta vermelho — o nível mais alto de risco no sistema da agência, reservado a terremotos com potencial de causar grandes perdas humanas e materiais.

O rescaldo: destruição generalizada

O estado costeiro de La Guaira foi declarado oficialmente “zona de desastre” e é o mais afetado do país. Bairros como Macuto, Caraballeda e Catia La Mar registraram o colapso total ou parcial de mais de 100 prédios. No total, as autoridades venezuelanas contabilizam cerca de 250 a 350 edificações — entre prédios, hospitais e centros comerciais — danificadas ou destruídas em todo o país.

O Aeroporto Internacional de Maiquetía, principal terminal aéreo do país e porta de entrada de Caracas, sofreu danos estruturais significativos e teve suas operações suspensas, o que tem dificultado a chegada de ajuda internacional por via aérea direta. Estradas se abriram em rachaduras, como na via de Morón, no estado de Carabobo, e ao menos oito hospitais da região foram afetados, alguns precisando ser evacuados — com hospitais de campanha sendo montados às pressas para atender o volume de feridos.

A queda de energia elétrica e o dano à infraestrutura de telecomunicações causaram, segundo a organização de monitoramento NetBlocks, uma redução drástica da conectividade à internet em boa parte do território venezuelano, dificultando ainda mais a coordenação dos socorros e o contato de famílias com parentes desaparecidos.

O governo decretou estado de emergência nacional, suspendeu aulas por uma semana, cancelou atividades não essenciais e o transporte ferroviário, e mobilizou mais de 11 mil agentes de segurança — entre Guarda Nacional, Forças Armadas, polícia e Exército — para tentar manter a ordem em La Guaira, onde já foram registrados episódios de saques em comércios.

Resgate: corrida contra o tempo

As operações de busca e resgate se concentram na chamada “janela de oro” (janela dourada) — as primeiras 48 a 72 horas após o desastre, período em que as chances de encontrar sobreviventes vivos sob os escombros são consideravelmente maiores.

Equipes urbanas de busca e resgate (USAR, na sigla em inglês) chegaram ou estão a caminho de diversos países: Estados Unidos enviou equipes de elite, recursos médicos e o navio de transporte anfíbio USS Fort Lauderdale, além de anunciar US$ 150 milhões em ajuda. República Dominicana, El Salvador, México, Catar, China e Colômbia — que enviou mais de 60 socorristas e quatro cães de resgate — também mobilizaram equipes. A Organização das Nações Unidas (ONU) informou estar coordenando o envio de equipes internacionais de resgate urbano.

Mesmo com a chegada de reforços, moradores de La Guaira reclamam da insuficiência da ajuda nas primeiras horas após a tragédia, com famílias relatando parentes ainda presos sob escombros e socorristas voluntários — sem treinamento especializado — atuando ao lado das equipes oficiais por falta de efetivo suficiente.

Os números da tragédia

Os balanços oficiais têm sido atualizados a cada poucas horas, sempre em alta, o que sugere que o número final de vítimas pode ser bem maior que os dados atuais. Os números abaixo refletem o levantamento mais recente disponível até a manhã desta sexta-feira (26/06):

Mortos confirmadosMais de 580, segundo o balanço mais recente (números anteriores foram de 164, depois 188 e 235, em rápida progressão)
FeridosQuase 3.000, segundo o último balanço (chegou a ser de 971 e depois 4.300 em boletins anteriores)
Pessoas não localizadas / desaparecidasCerca de 40 a 50 mil reportes registrados na plataforma colaborativa “Desaparecidos Terremoto Venezuela”; mais de 7.800 já foram localizadas
Pessoas presas nos escombrosCerca de 200, segundo balanço do governo poucas horas após o sismo
Edifícios destruídos ou danificadosEntre 250 e 350, incluindo hospitais e centros comerciais
Famílias desabrigadas/damnificadasPelo menos 2.927 famílias, segundo balanço oficial — número que deve crescer
Estado mais afetadoLa Guaira (zona de desastre), com mais de 100 prédios colapsados nos bairros de Macuto, Caraballeda e Catia La Mar

É importante destacar que os números de mortos e desaparecidos têm variado significativamente entre boletins — e entre fontes oficiais e extraoficiais —, o que é típico nas primeiras 72 horas de catástrofes dessa magnitude. Especialistas citados por veículos venezuelanos acreditam que o balanço oficial de óbitos ainda está subestimado em relação à realidade nos escombros.

A situação dos desabrigados

Milhares de venezuelanos passaram a segunda noite consecutiva ao relento, sem poder retornar para suas casas — seja porque os imóveis colapsaram, seja por medo de réplicas (foram registradas cerca de 20 após os tremores principais). Em Caracas e em La Guaira, famílias dormiram em ruas, carros estacionados, estações de metrô e espaços públicos.

Relatos de moradores descrevem cenas de desespero, com pessoas fazendo filas longas para abastecimento de combustível e alimentos, em meio à falta de eletricidade em diversas áreas. O governo informou a instalação de hospitais de campanha na região costeira para dar suporte ao volume de feridos que sobrecarregou a rede hospitalar local.

A crise humanitária se soma a um contexto já delicado: a Venezuela vive um momento de transição política — desde a captura do então presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos no início deste ano, o país é governado por um governo interino, chefiado por Delcy Rodríguez — e enfrenta uma economia historicamente afetada por anos de hiperinflação. Analistas ouvidos pela imprensa internacional alertam que a forma como a resposta humanitária for conduzida, incluindo a distribuição transparente da ajuda, pode influenciar diretamente o clima social do país, já marcado por um número recorde de protestos em 2026.

A resposta internacional

A presidenta interina Delcy Rodríguez fez um apelo público à comunidade internacional por assistência humanitária, e a resposta começou a chegar rapidamente. Estados Unidos lidera o apoio com equipes de resgate, recursos médicos e US$ 150 milhões anunciados pelo Departamento de Estado, além de meios militares como o navio USS Fort Lauderdale. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou a remoção de escombros e a intensificação das buscas nas primeiras 48 horas como prioridade absoluta.

Espanha enviou uma aeronave militar com a Unidade Militar de Emergências, e o governo espanhol relatou dificuldade inicial para localizar dezenas de cidadãos espanhóis na região afetada. Colômbia, República Dominicana, El Salvador, México, Catar e China também enviaram ou anunciaram equipes de resgate e ajuda material. Organismos como a ONU e a Unicef se manifestaram oficialmente, e até o clube de futebol Real Madrid emitiu nota de solidariedade às vítimas.

A posição do Brasil

O governo brasileiro foi um dos primeiros da região a se mobilizar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com a presidenta interina Delcy Rodríguez já no dia seguinte ao desastre para expressar solidariedade e definir a melhor forma de apoio. Em publicação nas redes sociais, Lula classificou o episódio como uma tragédia e convocou esforço nacional para ajudar o país vizinho.

A ajuda brasileira foi estruturada em duas etapas:

  • 1ª etapa (sexta-feira, 26/06): uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) partiu do Aeroporto de Guarulhos (SP) com uma missão humanitária de busca e resgate urbano de nível pesado, reunindo 44 profissionais — entre eles 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e quatro técnicos da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), além de nove toneladas de equipamentos para apoiar as buscas e o socorro às vítimas.
  • 2ª etapa (sábado, 27/06): um segundo voo deve levar equipamentos para montagem de um hospital de campanha, cem purificadores de água com painel solar (capacidade de 5 mil litros por dia cada), a serem doados à Defesa Civil venezuelana, além de medicamentos e material médico para cirurgias.

O Ministério da Saúde brasileiro também iniciou contatos com autoridades venezuelanas para oferecer apoio adicional em insumos médicos e profissionais de saúde. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, dois cidadãos brasileiros — um homem e uma mulher — estão entre as vítimas fatais confirmadas da tragédia.

A movimentação brasileira integra um esforço internacional mais amplo de resposta à emergência, num momento em que analistas apontam que a cooperação humanitária pode também contribuir para a aproximação diplomática entre Brasília e Caracas, em um cenário regional já marcado por anos de tensões políticas entre os dois países.

O que vem a seguir

Com a janela crítica de resgate se estreitando, a prioridade nas próximas horas é a remoção de escombros nas áreas mais afetadas, especialmente em La Guaira, e a ampliação da capacidade de atendimento médico para os milhares de feridos. Em paralelo, cresce a preocupação com a situação dos desabrigados, que devem permanecer sem moradia por um período prolongado diante da magnitude dos danos estruturais.

A expectativa é de que o balanço oficial de mortos e desaparecidos continue sendo atualizado e, possivelmente, aumente nos próximos dias, conforme os escombros sejam totalmente vasculhados e a comunicação seja restabelecida nas áreas mais isoladas do país.

Fontes: BBC News Mundo, CNN Brasil/CNN en Español, Reuters, AP News, El Tiempo, La Nación, Agência Gov/Planalto, Poder360, Metrópoles, Diário em Foco, Wikipedia (Terremotos de Venezuela de 2026), USGS.

Receba mensagem no WhatsApp