Bosco Saraiva defende corrida por qualificação para colocar trabalhador amazonense no Polo Industrial de Manaus
Enquanto a automação avança sobre o Polo Industrial, candidato a deputado estadual pelo PSD propõe plano de inglês, mandarim, inteligência artificial, robótica e bioindústria para que o amazonense não fique para trás na disputa pelas novas vagas — e defende agenda conjunta com Omar Aziz, candidato ao governo do Amazonas

Quem caminha hoje pelos corredores do Distrito Industrial de Manaus encontra um cenário bem diferente do que existia há duas décadas: linhas de produção cada vez mais automatizadas, softwares de inteligência artificial monitorando processos e uma demanda crescente por mão de obra qualificada em áreas que praticamente não existiam quando a Zona Franca foi criada. É nesse cenário que o candidato a deputado estadual Bosco Saraiva (PSD) apresenta a proposta que considera central para sua campanha: preparar o trabalhador amazonense para não ficar de fora dessa transformação.
O que Bosco Saraiva propõe
O plano defendido pelo candidato tem um objetivo declarado: ampliar a oferta de qualificação profissional conectada às demandas atuais e futuras do Polo Industrial de Manaus, em articulação com instituições de formação e desenvolvimento já presentes no estado. Na lista de frentes que o candidato defende priorizar estão:
- Cursos de inglês e mandarim, línguas cada vez mais exigidas nas relações comerciais entre as indústrias instaladas no Polo e fornecedores e parceiros internacionais;
- Formação em inteligência artificial, robótica e automação, tecnologias que já reconfiguram linhas de produção e processos de gestão dentro das fábricas;
- Capacitação voltada à Indústria 4.0, o modelo de manufatura conectada e orientada por dados que vem se tornando padrão em plantas industriais de ponta;
- Qualificação para as cadeias de economia verde e bioindústria, segmentos que ganham peso à medida que a Zona Franca busca se posicionar em bioeconomia.
A proposta não se limita a criar novas turmas: a ideia defendida por Bosco é articular esses cursos com instituições de ensino e desenvolvimento já estabelecidas no Amazonas, de forma que a formação acompanhe, na prática, o ritmo em que as próprias empresas do Polo Industrial vão incorporando essas tecnologias.
Uma proposta construída dos dois lados do balcão
Bosco Saraiva apresenta essa bandeira como fruto de uma trajetória pessoal que passou pelos dois extremos da cadeia produtiva da Zona Franca. Ele começou a vida profissional no chão de fábrica do Polo Industrial e, décadas mais tarde, ocupou a cadeira mais alta da política industrial da região: a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), órgão federal que administra o modelo, onde esteve à frente entre abril de 2023 e março de 2026 — trajetória que a própria autarquia registra oficialmente.
É esse trânsito entre o operário e o gestor público que o candidato usa para justificar a proposta. Segundo ele, a experiência deixou claro que o crescimento da Zona Franca só se sustenta se vier acompanhado de qualificação para quem já está — ou quer entrar — no mercado de trabalho industrial.
Na fala do candidato
Ao apresentar a proposta, Bosco Saraiva recorreu à própria história para explicar a motivação por trás da bandeira de campanha:
“Eu sei o que significa começar no chão de fábrica e buscar uma oportunidade para crescer. A indústria está mudando, novas profissões estão surgindo e nós precisamos garantir que o jovem e o trabalhador amazonense tenham acesso ao conhecimento necessário para ocupar esses espaços. A Zona Franca precisa crescer, mas esse crescimento precisa chegar à nossa gente”
Aliança declarada com Omar Aziz
Bosco Saraiva também usou a apresentação da proposta para amarrar sua candidatura à Assembleia Legislativa a um projeto político mais amplo, em sintonia com o senador Omar Aziz (PSD), candidato ao governo do Amazonas. Para o candidato a deputado estadual, a soma das experiências dos dois em diferentes funções públicas — e a convergência em torno da defesa da Zona Franca — pode sustentar uma agenda conjunta para o estado a partir de 2027.
“Com Omar no governo e o nosso trabalho na Assembleia Legislativa, queremos somar experiência e capacidade de realização para defender a Zona Franca, gerar oportunidades, fortalecer o interior e fazer o Amazonas voltar a crescer”
Por que a qualificação profissional virou tema de campanha

A proposta de Bosco Saraiva se soma a um debate que já mobiliza empresários, sindicatos e gestores públicos no Amazonas: o de como manter a Zona Franca de Manaus competitiva diante da automação crescente das linhas de produção. Historicamente construído sobre a mão de obra intensiva, o modelo do Polo Industrial vive um processo de modernização que reduz a demanda por funções repetitivas e amplia a procura por profissionais capazes de operar, programar e manter sistemas automatizados — movimento que torna a qualificação técnica um dos principais fatores de empregabilidade na região nos próximos anos.
