Nos votos válidos, Flávio teria 51,1% e Lula 48,9%, aponta cálculo do Portal sobre a Quaest
Levantamento encomendado pela Globo ouviu 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro. Exercício feito pela redação, com o método usado pelo TSE, mostra como ficaria o placar se só contassem os votos em candidatos — e por que o resultado ainda está em aberto.

O retrato da pesquisa
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 46% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, com 44% na primeira pesquisa Quaest do segundo turno da eleição presidencial, divulgada nesta quarta-feira (14). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.
Brancos e nulos somam 9% e indecisos, 1%. A votação final está marcada para 25 de outubro, daqui a 11 dias.
| Cenário estimulado – votos totais | Quaest 14/10 | Quaest 3/10 |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 46% | 44% |
| Lula (PT) | 44% | 42% |
| Brancos, nulos e não vai votar | 9% | 13% |
| Indecisos | 1% | 1% |
Fonte: Quaest/Globo. Comparação com a rodada divulgada em 3 de outubro, véspera do 1º turno.
Em relação à rodada anterior, os dois candidatos subiram dois pontos, enquanto o grupo de brancos, nulos e quem não pretendia votar encolheu de 13% para 9%. Ou seja: a diferença entre eles permaneceu igual, e parte do eleitorado que estava fora da disputa passou a escolher um lado, dividindo-se de forma parecida.
Como o 1º turno terminou
Na apuração oficial do TSE, Flávio terminou o primeiro turno, em 4 de outubro, à frente: cerca de 56,1 milhões de votos (47,03% dos válidos), contra 53,8 milhões de Lula (45,16%). Os demais candidatos somaram perto de 7,8% dos votos válidos.
Desde então, Flávio recebeu o apoio de ex-candidatos como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Clariana Barão (DC). A disputa pelos eleitores desses nomes e por quem se absteve ou anulou é o que tende a decidir o segundo turno.
Para onde vão os votos dos demais candidatos
A Quaest também perguntou aos entrevistados em quem votaram no primeiro turno e como pretendem votar agora. Juntos, os candidatos fora da polarização somaram 7,79% dos votos válidos em 4 de outubro — o menor patamar desde 2006. Na apuração oficial, Augusto Cury (Avante) teve 2,89%, Renan Santos (Missão) 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD) 2,18%; os demais nomes ficaram abaixo de 1%.
| Votou no 1º turno em | Flávio | Lula | Branco/nulo/não vai votar | Indecisos |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 42% | 23% | 33% | 2% |
| Renan Santos (Missão) | 40% | 14% | 43% | 3% |
| Augusto Cury (Avante) | 30% | 34% | 30% | 6% |
| Outros candidatos | 38% | 33% | 22% | 7% |
| Não votou, branco ou nulo | 38% | 43% | 17% | 2% |
Fonte: Quaest/Globo, 10 a 13/10. Cada linha mostra como se dividem os eleitores de um ex-candidato no 2º turno.
O que os números indicam:
- Flávio leva vantagem entre os eleitores de Caiado e de Renan Santos. Entre os de Renan, porém, o grupo que pretende anular ou não votar (43%) é maior do que o que escolhe Flávio (40%).
- Lula aparece à frente apenas entre os eleitores de Augusto Cury (34% a 30%), em situação de empate técnico dentro desse grupo.
- Entre os eleitores dos três principais ex-candidatos, uma fatia grande — de 30% a 43% — diz que vai votar branco, nulo ou não comparecer. É esse eleitorado que ainda está em disputa.
- Entre quem não votou ou anulou no primeiro turno, Lula tem leve vantagem (43% a 38%). A mobilização desse público pode ser decisiva, já que é um contingente bem maior do que o de qualquer ex-candidato.
Exercício do Portal – quanto isso vale na conta. Aplicando os percentuais da Quaest aos votos oficiais de cada ex-candidato, estimamos quanto cada lado ganharia dos 7,79% da terceira via. O cálculo é da redação:
| Ex-candidato (votos válidos no 1º turno) | Iria para Flávio | Iria para Lula |
| Augusto Cury (2,89%) | 0,87 ponto | 0,98 ponto |
| Renan Santos (2,24%) | 0,90 ponto | 0,31 ponto |
| Ronaldo Caiado (2,18%) | 0,92 ponto | 0,50 ponto |
| Outros (0,48%) | 0,18 ponto | 0,16 ponto |
| Total herdado | 2,86 pontos | 1,96 ponto |
Pela estimativa, Flávio herdaria cerca de 2,9 pontos e Lula cerca de 2 pontos. Em votos, considerando os cerca de 119 milhões de válidos do 1º turno, seriam aproximadamente 3,4 milhões para Flávio e 2,3 milhões para Lula; o restante, cerca de 3,6 milhões, iria para branco, nulo, abstenção ou ainda estaria indefinido.
Se somados apenas esses votos ao resultado do 1º turno, e supondo que os eleitores de Lula e de Flávio mantenham o voto, o placar em válidos ficaria em torno de 51,4% para Flávio e 48,6% para Lula — próximo dos 51,1% x 48,9% calculados a partir da pesquisa geral.
Ressalva sobre este bloco: cada ex-candidato representa só cerca de 2% da amostra, o que equivale a aproximadamente 40 a 45 entrevistados. Nesses subgrupos, a margem de erro é muito maior do que os 2 pontos da pesquisa geral — por nossa estimativa, pode passar de 15 pontos. Os percentuais devem ser lidos como tendência, não como número exato. A conta também não inclui eventuais mudanças de voto entre eleitores de Lula e Flávio nem novos eleitores que decidam comparecer.
Exercício do Portal: como ficaria em votos válidos
Atenção, leitor: os números desta seção são um cálculo feito pela redação do Portal Zona Franca de Manaus a partir dos dados publicados pela Quaest. Não são números divulgados pelo instituto nem resultado oficial, e servem apenas para comparar a pesquisa com o modo como o TSE apura a eleição.
Como o TSE calcula. Na apuração oficial, votos brancos e nulos não entram na conta. O percentual de cada candidato é calculado apenas sobre os votos válidos, isto é, os votos dados a um dos nomes. Vence no segundo turno quem tiver mais da metade desses votos.
Como fizemos. Seguindo a mesma lógica, retiramos da base os brancos e nulos (9%) e os indecisos (1%). Sobram 90% de eleitores com candidato. Em seguida, dividimos a intenção de cada um por esse total:
- Flávio: 46 ÷ 90 = 51,1% dos votos válidos
- Lula: 44 ÷ 90 = 48,9% dos votos válidos
Na rodada de 3 de outubro, o mesmo cálculo (44 e 42 sobre uma base de 86%) daria 51,2% a 48,8%. Na prática, o quadro dos votos válidos ficou praticamente parado entre uma pesquisa e outra.
Desdobramentos: o que pode mudar o placar
Como a pesquisa tem margem de erro, testamos cenários-limite e o efeito dos indecisos. Todos são simulações da redação:
| Cenário simulado (cálculo do Portal) | Flávio | Lula |
| Resultado da pesquisa (46% x 44%) | 51,1% | 48,9% |
| Margem a favor de Flávio (48% x 42%) | 53,3% | 46,7% |
| Margem a favor de Lula (44% x 46%) | 48,9% | 51,1% |
| Todos os indecisos vão para Flávio (47% x 44%) | 51,6% | 48,4% |
| Todos os indecisos vão para Lula (46% x 45%) | 50,5% | 49,5% |
Os dois cenários de margem são extremos e pouco prováveis ao mesmo tempo: exigem que um candidato esteja no topo e o outro no piso da margem.
O que os cenários mostram:
- Dentro da margem de erro, a pesquisa é compatível tanto com uma vitória de Flávio por cerca de 6 pontos nos válidos quanto com uma vitória apertada de Lula. Por isso se fala em empate técnico.
- Os indecisos (1%) são poucos para virar o jogo sozinhos: mesmo que todos fossem para Lula, Flávio ainda ficaria à frente, mas com diferença de cerca de 1 ponto.
- O fator mais relevante é o grupo de 9% que hoje diz votar branco ou nulo. Se parte desse eleitorado decidir escolher um candidato, e não se dividir igualmente, o placar dos válidos pode mudar mais do que nos cenários acima.
Em votos absolutos (ilustração). Se o segundo turno tivesse o mesmo total de votos válidos do primeiro (cerca de 119 milhões) e o percentual fosse exatamente o da pesquisa, Flávio teria em torno de 61 milhões de votos e Lula, de 58,3 milhões, uma distância de aproximadamente 2,6 milhões. É uma conta apenas ilustrativa: o comparecimento e o número de brancos e nulos mudam de um turno para outro.
Ressalvas importantes
- Pesquisa não é previsão. Ela retrata a intenção de voto entre 10 e 13 de outubro e pode mudar até 25 de outubro, com debates, propaganda e alianças.
- A margem de erro de 2 pontos vale para os números totais divulgados pela Quaest. Quando se recalcula sobre os votos válidos, a base fica menor (90% da amostra) e a margem tende a ser um pouco maior — por nossa estimativa, cerca de 2,1 pontos.
- O cálculo pressupõe que quem declarou branco ou nulo vai de fato anular, e que quem não foi entrevistado se comporta como a amostra. A abstenção, que não aparece na pesquisa, pode favorecer um ou outro.
- A pesquisa é nacional. Ela não permite tirar conclusões sobre o voto no Amazonas ou em Manaus, que pode ser bem diferente da média do país.
- Os percentuais em votos válidos desta reportagem são cálculo do Portal, não divulgação oficial da Quaest.
Outras pesquisas do 2º turno
Outros institutos também apontam disputa apertada. O Datafolha, em 8 de outubro, registrou Flávio com 49% e Lula com 45% das intenções de voto. Em votos válidos, o PoderData/Aya (13/10) mostrou 51% a 49% para Flávio, e o BTG/Nexus (13/10), 52% a 48%. Nova rodada do Datafolha está prevista para quinta-feira (15).
Metodologia
| Item | Informação |
| Instituto | Quaest |
| Contratante | Grupo Globo |
| Entrevistados | 2.154 eleitores com 16 anos ou mais |
| Período de campo | 10 a 13 de outubro de 2026 |
| Margem de erro | 2 pontos percentuais, para mais ou para menos |
| Nível de confiança | 95% |
| Registro no TSE | BR-08729/2026 |
Fontes: Quaest/Globo (dados citados por O Globo, Metrópoles, SBT News, Jovem Pan, ICL Notícias e TVT News); apuração oficial do TSE do 1º turno. Cálculo de votos válidos, transferência estimada e simulações: redação do Portal Zona Franca de Manaus.
