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Lula abre 9 pontos sobre Flávio após turbulência do ‘Dark Horse’

Escândalo com ex-banqueiro derruba senador nas pesquisas; no 2º turno, petista passa de empate a vantagem de 4 pontos

Primeiro turno — o placar da virada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada após a forte repercussão do caso “Dark Horse”. Lula passou de 38% para 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio recuou de 35% para 31% — a diferença saltou de 3 para 9 pontos percentuais em apenas uma semana.

O levantamento foi realizado de 20 a 21 de maio de 2026, com 2.004 entrevistados em 139 cidades. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Segundo turno — o empate que virou vantagem

A mudança também atingiu a simulação de segundo turno. O empate em 45% registrado no levantamento anterior deu lugar a uma vantagem de quatro pontos para o petista: 47% contra 43%.

O fator Michelle — a carta na manga que não encaixa

Cogitada como um possível nome para substituir Flávio Bolsonaro em caso de desistência, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) apresenta desempenho mais fraco do que o do senador no primeiro turno. Na simulação estimulada, Michelle registra 22% das intenções de voto, contra 41% de Lula. Apesar da distância, ambos seguem isolados do restante dos candidatos testados, já que o nome seguinte, Romeu Zema (Novo), aparece com apenas 6%.

No tira-teima de segundo turno, Michelle chegaria a 43% — o mesmo patamar de Flávio — enquanto Lula marcaria 48%. A paridade numérica não disfarça o problema político: a candidatura da ex-primeira-dama é hoje vista como improvável. O ex-presidente Jair Bolsonaro e o PL preferem reservá-la para a disputa ao Senado pelo Distrito Federal.

Os fatos que cercam Flávio Bolsonaro

O caso ganhou repercussão nacional após reportagem do Intercept Brasil revelar o envolvimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — investigado pelo colapso do Banco Master — nas tratativas para financiar o projeto. Os repasses chegaram a R$ 61 milhões. Inicialmente, Flávio classificou a reportagem como “fake news”, mas depois admitiu ter pedido os recursos para a produção do filme sobre a campanha de Jair Bolsonaro em 2018. O senador afirmou que “algo mais, um vídeo, poderia aparecer”, embora tenha negado contato pessoal com Vorcaro — para, dias depois, admitir que se encontrou com o ex-banqueiro após sua saída da prisão.

O caso também é alvo de investigações da Polícia Federal, em razão das conexões políticas e empresariais envolvidas.

A sequência de versões contraditórias — negar, admitir em partes, corrigir de novo — transformou o escândalo num problema de credibilidade além do próprio episódio.

Rejeição e o terreno minado

Segundo o Datafolha, 46% dos entrevistados afirmam que não votariam “de jeito nenhum” em Flávio Bolsonaro. Lula aparece logo atrás, com rejeição de 45%. Michelle registra 31%.

Entre os nomes alternativos da direita, Caiado e Zema apresentam cenário mais favorável em termos de potencial eleitoral. Ambos ainda são pouco conhecidos nacionalmente e possuem rejeição mais baixa.

O horizonte da campanha — onde Lula pode capitalizar

A disputa de 2026 entrou em um novo momento, no qual Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas o herdeiro político do pai e passou a ser um candidato ferido por uma crise própria. A mensagem da pesquisa é direta: Lula cresceu, Flávio caiu, e o caso Dark Horse já virou fator eleitoral. Em uma campanha que promete ser decidida por confiança, rejeição e economia, o senador começa a descobrir que uma candidatura presidencial pode perder força antes mesmo da largada oficial.

Os leitores que mais se incomodam com a “derrapagem” de Flávio são exatamente aqueles que o levantamento captura como o eleitorado de centro e os independentes — o segmento que oscilou para o senador nas semanas em que o governo Lula acumulava más notícias. Com as sucessivas mudanças de versão do caso Dark Horse, esse eleitor tende a recuar. É nessa faixa — descontente com Lula, mas não ideológico — que o petista tem agora uma janela para consolidar vantagem antes do início oficial da campanha.

*Pesquisa Datafolha registrada no TSE sob o código BR-07489/2026. Realizada em 20 e 21 de maio de 2026. 2.004 entrevistados em 139 municípios. Margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.*

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