Omar Aziz denuncia: governador do Amazonas teria desviado R$ 100 mi da UEA para cobrir rombo do Banco Master
Em discurso no Senado, parlamentar cobra providências do TCE, MP e Polícia Federal diante do que classifica como “grande gandaia” com o erário público amazonense; senador também exige que o STJ julgue o processo contra o ex-governador Wilson Lima pela crise do oxigênio que matou pacientes de Covid-19 no Amazonas

BRASÍLIA — O senador Omar Aziz (PSD-AM) subiu à tribuna do Senado Federal no dia de ontem(10) para denunciar que o governador do Amazonas, Roberto Cidade, editou decreto retirando R$ 100 milhões do fundo de manutenção da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) — recursos que, segundo o parlamentar, seriam usados para cobrir o passivo deixado pelo Banco Master no Estado.
O decreto e a acusação central
Em seu pronunciamento, Aziz afirmou que os recursos retirados da UEA eram destinados à expansão da universidade nos municípios do interior e à aquisição de um hospital universitário. Para o senador, o desvio de finalidade é grave e configura mau uso do erário.
“Tirou 100 milhões da pesquisa e da construção de um hospital universitário da Universidade Estadual do Amazonas. 100 milhões, que é o rombo que o Banco Master deixou no Estado do Amazonas.”
O senador ressaltou que este seria o segundo decreto polêmico editado por Roberto Cidade em menos de um mês no governo. O primeiro, segundo Aziz, tentou retirar R$ 100 milhões do Fundo de Micro e Pequenas Empresas para custear despesas correntes do Estado — iniciativa que foi barrada pela Assembleia Legislativa do Amazonas.
Histórico de má gestão e continuidade política
Aziz traçou um paralelo direto entre o atual governador e seu antecessor, Wilson Lima, que renunciou junto ao vice-governador no último dia do mandato, abrindo caminho para que Cidade — então presidente da Assembleia Legislativa — assumisse o Executivo estadual.
“Roberto Cidade e Wilson Lima são os mesmos, só é o sobrenome que é diferente, mas é a mesma pessoa, o mesmo modus operandi e a mesma disciplina em relação aos maus cuidados com o erário público.”
O senador ainda apontou que, nos últimos anos, o Amazonas arrecadou mais de R$ 220 bilhões e contraiu bilhões em dívidas adicionais — sem que hospitais fossem construídos, escolas reformadas ou servidores pagos em dia.
Emergência climática como pretexto
Um terceiro decreto também foi alvo de críticas. Aziz afirmou que Cidade decretou emergência climática de caráter preventivo com o objetivo de dispensar licitações, perpetuando, na avaliação do senador, uma prática recorrente na gestão estadual.
“É um argumento, é uma forma, é um modus operandi que os últimos oito anos, infelizmente, o Estado do Amazonas vem fazendo.”
Apelos a órgãos de controle
Aziz encerrou seu discurso fazendo apelos formais ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público estadual e federal, à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Também solicitou ao ministro da Educação, Camilo Santana, que o MEC realize auditoria sobre o uso de recursos do Fundeb destinados ao transporte escolar no Amazonas.
“Não pode tapar os olhos para isso. Ao Ministério Público Estadual, não podem tapar os olhos para isso.”
STJ cobrado a julgar Wilson Lima pela crise do oxigênio
O senador também aproveitou o pronunciamento para cobrar do Superior Tribunal de Justiça o julgamento do processo contra o ex-governador Wilson Lima, responsabilizado pela crise do oxigênio que levou à morte de pacientes de Covid-19 no Amazonas em janeiro de 2021. Segundo Aziz, a denúncia foi recebida pelo STJ por 17 votos a zero, mas o caso segue engavetado sem data para julgamento.
“O STJ tem que julgar o ex-governador Wilson Lima. Ele não pode ser impune à morte de amazonenses, não pode ficar impune ao que ele fez com o Estado do Amazonas.”
O senador Eduardo Braga reforçou a cobrança, lembrando que Lima responde especificamente pela compra de respiradores em estabelecimento sem relação com o setor de saúde, e que a omissão do tribunal em pautar o caso representa, na visão dos parlamentares, um sinal de impunidade inaceitável.
Outros senadores endossam as denúncias
Os senadores Eduardo Braga (AM) e Plínio Valério (AM) usaram a palavra em seguida para reforçar as críticas. Braga destacou que 25% da receita corrente líquida do Estado já está comprometida com dívidas — algo inédito na história do Amazonas — e que profissionais de saúde acumulam entre cinco e sete meses de salários atrasados. Plínio Valério, por sua vez, classificou os decretos como “coisa de bandido” e pediu transparência nas contratações de entidades ligadas ao governo estadual.
Contexto
As denúncias chegam em momento de crescente tensão política entre lideranças amazonenses em Brasília e o governo estadual. A situação da UEA é emblemática: criada para democratizar o acesso ao ensino superior no interior do Amazonas, a universidade já acumula déficits históricos de financiamento. O caso do Banco Master — instituição que acumulou passivos relevantes em vários estados — também está sob escrutínio nacional. A ausência de julgamento no STJ do processo contra Wilson Lima pela crise do oxigênio de 2021, que vitimou pacientes de Covid-19, foi outro ponto levantado pelos três senadores como sinal de impunidade sistêmica.
Fonte: Pronunciamento registrado nos anais do Senado Federal.
