BNDES Periferias Fortes: banco abre seleção para fortalecer organizações sociais das periferias brasileiras
Programa já lançou frentes para Norte e Nordeste; edital da Região Norte, apresentado em Belém (PA), vai investir R$ 17,5 milhões e beneficiar organizações do Pará, Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão

O que é o BNDES Periferias Fortes
O BNDES Periferias Fortes é uma das frentes da iniciativa BNDES Periferias, plataforma do banco de desenvolvimento voltada a impulsionar favelas e comunidades urbanas periféricas em todo o país. O objetivo da frente é fortalecer institucionalmente Organizações Sociais de Periferia (OSPs) — formais ou ainda não formalizadas — para que ganhem eficiência em gestão, captação de recursos e capacidade de execução de projetos nas áreas de geração de emprego e renda, serviços urbanos, saúde, educação, esporte, justiça e meio ambiente.
O modelo funciona por meio de parceiros executores, instituições sem fins lucrativos selecionadas pelo BNDES para conduzir, em cada região, a seleção, capacitação, mentoria e o repasse de recursos financeiros às organizações beneficiadas.
Destaque: o edital da Região Norte
O edital BNDES Periferias Fortes – Norte foi lançado em 1º de julho de 2026, em Belém (PA), em parceria com o Instituto Phi e o Instituto Phomenta, já definidos como parceiros executores da região.
Principais números:
Investimento: R$ 17,5 milhões
Abrangência: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além do Maranhão
Meta de seleção: até 82 Organizações Sociais de Periferia (OSPs) de pequeno e médio porte
Apoio financeiro por organização: até R$ 100 mil (pequeno porte) ou até R$ 300 mil (médio porte)
Duração da jornada: dois anos, com formação imersiva, mentorias, capacitação em gestão, comunicação e captação de recursos, além de acompanhamento técnico.
Segundo o Instituto Phomenta, a Região Norte concentra 12,1% da população brasileira, mas apenas 9% das organizações sociais formalizadas do país — dado que justifica o recorte regional do edital e a atenção a coletivos ainda sem CNPJ.
Quem pode participar: organizações sociais de periferia dos sete estados da Região Norte e do Maranhão. Estão previstas vagas específicas para organizações de médio porte já formalizadas, com orçamento anual entre R$ 80 mil e R$ 300 mil e pelo menos sete anos de atuação comprovada.
Etapas seguintes: após a seleção, cada organização elabora um plano de desenvolvimento institucional, que passa por avaliação antes da liberação dos recursos para execução das estratégias planejadas.
O programa também chegou ao Nordeste
Alguns dias antes, o BNDES abriu o edital Periferias Fortes – Nordeste, em parceria com o Instituto Ekloos, com investimento superior a R$ 17 milhões para selecionar 85 iniciativas em Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe — desenho semelhante ao da frente Norte, com capacitações, mentorias, apoio à formalização e recursos de até R$ 300 mil por iniciativa.
O caminho até os editais
Os editais são resultado da Caravana BNDES Periferias, processo de escuta ativa realizado entre outubro e dezembro de 2024, com encontros presenciais em Belém (PA), Recife (PE) e Salvador (BA), que ouviu mais de 80 organizações sociais das regiões Norte e Nordeste. Em Belém, a caravana reuniu 24 organizações da periferia da capital paraense e de outras localidades da Região Norte, cujas contribuições ajudaram a moldar os critérios e o desenho do edital.
Como explicou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o critério regional busca direcionar esforços para territórios com piores condições de vida e maiores dificuldades de acesso a recursos e políticas públicas — o que justifica o Norte e o Nordeste como primeiras regiões contempladas.
O BNDES Periferias em números
Desde 2024, o BNDES Periferias já disponibilizou R$ 355 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental do banco
A iniciativa soma 12 operações aprovadas, com resultados esperados em 97 favelas e comunidades urbanas
Além do Periferias Fortes, o guarda-chuva do programa inclui as frentes Periferias Verdes (projetos ambientais e inclusão produtiva), Polos BNDES Periferias (construção e revitalização de espaços comunitários) e Periferias Empreendedoras (apoio a empreendedores, com prioridade para mulheres, jovens e população negra)
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os territórios periféricos têm “potência econômica, capacidade empreendedora, lideranças comunitárias fortes e soluções construídas por quem conhece de perto os desafios locais”, cabendo ao banco ajudar essas iniciativas a ganhar escala.
Fontes: BNDES (site oficial e Agência BNDES de Notícias), Portal Guarany Júnior, Folha PE, Plataforma Conjunta.
