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Pesquisas divergem no Amazonas: nacionais dão vantagem a Omar e embolam o 2º lugar; regionais veem empate entre Omar e Cidade

A disputa pelo Governo do Amazonas chega à última semana com dois retratos diferentes, dependendo de quem faz a pesquisa. Os institutos regionais mostram uma corrida a dois, com o senador Omar Aziz (PSD) e o governador Roberto Cidade (União Brasil) tecnicamente empatados. Os nacionais mostram Omar isolado à frente e uma briga pelo segundo lugar entre Cidade e a Professora Maria do Carmo (PL).

No levantamento mais recente da Pontual, Omar registra 27,9% e Cidade 27,1%, diferença de 0,8 ponto, abaixo da margem de erro de 1,79 ponto informada pelo instituto; Maria do Carmo tem 17,1% e David Almeida (Avante), 16%. A Projeta, a campo uma semana antes, chegou a um quadro semelhante: Omar com 25,80% e Cidade com 24,36%, separados por apenas 1,44 ponto, com Maria do Carmo em terceiro (15,82%) e David logo atrás (15,41%).

Os nacionais contam outra história. Na Quaest, contratada pela Rede Amazônica, Omar lidera o cenário estimulado com 29%, seguido por Maria do Carmo (19%) e Cidade (18%). No PoderData, Omar aparece com 32%, Maria do Carmo com 21%, Cidade com 20% e David com 11%.

A diferença que mais chama a atenção está em Roberto Cidade: entre 24% e 27% nos regionais, entre 18% e 20% nos nacionais. E em Maria do Carmo, que sobe de 15–17% nos regionais para 19–21% nos nacionais.

GOVERNADOR: O QUE CADA PESQUISA MOSTRA

 GOVERNO DO AMAZONAS · 1º TURNO

Cenário estimulado, em % das intenções de voto

InstitutoOmar Aziz (PSD)Roberto Cidade (União)Maria do Carmo (PL)David Almeida (Avante)
INSTITUTOS REGIONAIS
Projeta (14 a 18/set)25,80%24,36%15,82%15,41%
Pontual (15 a 24/set)27,9%27,1%17,1%16,0%
INSTITUTOS NACIONAIS
Quaest (20 a 23/set)29%18%19%11%
PoderData (20 a 23/set)32%20%21%11%

Fontes: Projeta, Pontual, Quaest e PoderData. Em negrito, o candidato à frente em cada levantamento.

 FICHA TÉCNICA DAS PESQUISAS

InstitutoTipoEntrevistas e coberturaMargem de erro
ProjetaRegional3.000, presencial, Manaus + 15 municípios±1,79 p.p.
PontualRegional3.000, presencial, Manaus + 13 municípios±1,79 p.p.
QuaestNacional804, presencial domiciliar±3 p.p.
PoderDataNacional1.200, 56 municípios±2,8 p.p.

Fontes: institutos e veículos que divulgaram as pesquisas.

No 2º turno entre os dois líderes, a divergência se repete. Na Projeta, Cidade aparece com 45,42% contra 43,24% de Omar, empate técnico. Na Pontual, Cidade tem 43,9% e Omar, 42,2%. Já na Quaest, Omar vence Cidade por 44% a 38%, mas empata tecnicamente com Maria do Carmo (44% a 42%). O PoderData, segundo o Poder360, mostra Omar à frente em todos os cenários de 2º turno.

 SIMULAÇÕES DE 2º TURNO

InstitutoOmar x CidadeOmar x Maria do Carmo
ProjetaCidade 45,42% x Omar 43,24%—
PontualCidade 43,9% x Omar 42,2%—
QuaestOmar 44% x Cidade 38%Omar 44% x Maria 42%
PoderDataOmar à frenteOmar à frente

Fontes: Projeta, Pontual, Quaest e Poder360 (PoderData).

SENADO: BRAGA À FRENTE EM TODAS; SEGUNDA VAGA EM ABERTO

 SENADO · AMAZONAS

Os formatos de pergunta diferem entre os institutos; não compare os números diretamente

InstitutoEduardo Braga (MDB)Cap. Alberto Neto (PL)Wilson Lima (União)Plínio Valério (PSDB)
PROJETA (14 a 18/set) · cenário estimulado
Projeta30,20%16,17%16,77%12,81%
QUAEST (20 a 23/set) · dois votos somados e reduzidos a 100%
Quaest27%17%13%14%
PODERDATA (20 a 23/set) · 1º voto (Plínio: 2º voto)
PoderData42%29%—28%*

* No PoderData, Plínio Valério aparece como o mais citado no 2º voto. Não foram localizados números da Pontual para o Senado nesta rodada. Fontes: Projeta, Quaest e Poder360.

Atenção ao comparar: os números não medem a mesma coisa. A Quaest consolidou os dois votos de cada entrevistado e reduziu o total a 100%, enquanto o PoderData separou o 1º voto, em que Braga tem 42% e Alberto Neto 29%, do 2º voto, em que Plínio Valério é o mais citado, com 28%.

A divergência central é sobre Wilson Lima. Na Projeta, o ex-governador aparece numericamente em segundo, com 16,77%, 0,60 ponto acima de Alberto Neto. Na Quaest, ele é o quarto. O dado de rejeição ajuda a entender o teto: na Projeta, Wilson tem 35,44% de rejeição, a maior entre os candidatos ao Senado.

ONDE ESTÃO OS VOTOS: MANAUS X INTERIOR

Nenhuma das quatro pesquisas divulgou resultados cidade por cidade; os recortes publicados separam apenas a capital do interior. E esse recorte explica boa parte da disputa.

 GOVERNADOR · CAPITAL X INTERIOR

Em %; em negrito, quem lidera em cada recorte

CandidatoProjeta ManausProjeta InteriorPontual ManausPontual Interior
Omar Aziz21,59%30,55%22,9%33,5%
Roberto Cidade22,76%26,17%24,1%30,4%
Maria do Carmo18,95%12,28%21,3%12,5%
David Almeida17,98%12,52%17,3%14,6%

Fontes: Projeta e Pontual.

O padrão é consistente: Omar e Cidade são mais fortes no interior; Maria do Carmo e David dependem de Manaus. A Projeta ouviu eleitores em Manaus, Manacapuru, Itacoatiara, Parintins, Coari, Tefé, Iranduba, Tabatinga, Humaitá, Maués, Manicoré, São Gabriel da Cachoeira, Autazes, Lábrea, Presidente Figueiredo e Careiro, mas não publicou os números de cada município.

 SENADO · CAPITAL X INTERIOR

Em %; em negrito, quem lidera em cada recorte

Candidato ao SenadoProjeta ManausProjeta Interior
Eduardo Braga25,86%35,10%
Cap. Alberto Neto21,35%10,34%
Plínio Valério14,39%—
Wilson Lima11,10%23,17%

Fonte: Projeta.

No Senado, a geografia se repete. Na capital, Braga tem 25,86% e Alberto Neto 21,35%, com Plínio em 14,39% e Wilson em 11,10%. No interior, Braga chega a 35,10% e Wilson Lima a 23,17%, enquanto Alberto Neto cai para 10,34%. Alberto Neto é um candidato de Manaus; Wilson Lima, do interior.

POR QUE AS PESQUISAS DIVERGEM TANTO

Há pelo menos cinco explicações técnicas, e nenhuma delas pressupõe má-fé.

1. Cobertura do interior. Projeta e Pontual ouvem 3 mil pessoas, mas concentradas em 14 a 16 municípios. O Amazonas tem 62. O PoderData foi a 56 municípios com amostra menor. Como Cidade e Omar dependem do interior, a escolha de quais cidades entram na amostra pesa diretamente no resultado.

2. Método de coleta. Quaest, Projeta e Pontual entrevistam pessoalmente. O Poder360 informa que o PoderData tem ampla experiência em coleta por telefone. Em um estado com áreas de acesso limitado a telefonia e internet, é plausível que entrevistas remotas tenham perfil mais urbano e escolarizado. Isso poderia favorecer uma candidata forte em Manaus, como Maria do Carmo, mas é uma hipótese, não uma conclusão verificada.

3. Margem de erro “no papel”. A margem de 1,79 ponto para 3 mil entrevistas pressupõe amostra aleatória simples. A própria Projeta informa que usa amostragem por conglomerados em três estágios, com sorteio de municípios e setores censitários e cotas de sexo, idade e escolaridade. Esse desenho costuma produzir uma margem real maior que a nominal. O empate técnico, portanto, pode ser ainda mais largo do que parece.

4. Período de campo. A Pontual ficou dez dias em campo (15 a 24/set), o que mistura momentos diferentes da campanha. Quaest e PoderData fizeram quatro dias.

5. Quem paga. A Projeta diz que custeou a pesquisa com recursos próprios. O PoderData foi pago pela RealTimeAM Portal de Notícias, e a Quaest, pela Rede Amazônica. O financiamento não invalida um levantamento, mas é informação que o leitor tem direito de conhecer.

EM QUAL PESQUISA O ELEITOR DEVE ACREDITAR?

A resposta honesta é: em nenhuma isoladamente, e em todas como conjunto. Pesquisa não é previsão, é fotografia de um momento com margem de incerteza. O eleitor e o leitor devem verificar o registro no TSE, o tamanho da amostra, quantos municípios foram visitados, o método de entrevista, as datas de campo e quem pagou.

Mais útil do que escolher um instituto é olhar o que todos têm em comum. Primeiro, Omar Aziz aparece à frente ou empatado na liderança em todas as pesquisas. Segundo, nenhum candidato se aproxima de 50% dos votos válidos. Terceiro, Eduardo Braga lidera o Senado em todos os levantamentos. Onde há divergência (quem fica em segundo para governador, quem leva a segunda vaga do Senado), a conclusão segura é que a disputa está indefinida.

DÁ PARA CRAVAR O 2º TURNO HOJE?

Que haverá 2º turno para governador, sim, com alta probabilidade. Na Quaest, descontados brancos, nulos e indecisos, Omar teria cerca de 36% dos votos válidos, longe dos 50% necessários. Nos regionais, a fragmentação é ainda maior.

Quem vai ao 2º turno, não. Os regionais apontam Omar x Cidade; os nacionais deixam a segunda vaga entre Cidade e Maria do Carmo, dentro da margem. E a Quaest mostra um eleitorado ainda volátil: na pergunta espontânea, 54% dos eleitores não souberam citar um candidato a governador. No Senado, 30% dos eleitores dizem que ainda podem mudar o voto.

A recomendação é esperar pelas rodadas finais desta semana, depois dos debates e do último esforço de campanha, antes de afirmar quem disputa o 2º turno. A distância entre o segundo e o terceiro colocado é pequena o bastante para que o voto útil, os debates e a transferência de eleitores de David Almeida decidam a vaga.

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