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Morre herdeiro do Grupo Simões e filho de Antônio Silva, presidente da FIEAM

Integrante do Grupo Simões e filho do presidente da Fieam, Victor Simões da Silva, 51, pilotava um monomotor experimental que caiu em Orlândia na tarde de sexta-feira (16). José Ricardo Santana, 58, que estava a bordo, também morreu. Cenipa e Polícia Civil investigam as causas.

O empresário amazonense Victor Simões da Silva, de 51 anos, morreu na tarde da última sexta-feira (16) após a queda do avião de pequeno porte que ele próprio pilotava, em Orlândia, no interior de São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 16h49, segundos depois da decolagem de uma pista na área do antigo Aeroporto Tangará, na zona rural do município. O outro ocupante da aeronave, José Ricardo Santana, de 58 anos, também morreu.

Victor era integrante do conselho e acionista do Grupo Simões, um dos conglomerados empresariais mais tradicionais da Região Norte, e filho de Antonio Silva, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). Ele estava na região para acompanhar uma competição de hipismo da qual participaria sua filha.

Segundos após a decolagem

Imagens de câmeras de segurança do aeródromo, divulgadas ao longo de sexta e sábado, mostram a sequência do acidente. Logo depois de deixar a pista, o monomotor sobe, faz uma manobra acentuada e fica momentaneamente de dorso (de cabeça para baixo). Em seguida, volta à posição normal, mas perde altitude rapidamente, gira no ar e se choca contra o solo, nas proximidades da pista.

Segundo a Polícia Civil, Victor e José Ricardo haviam chegado à região por volta das 13h daquele dia. As razões da manobra e da perda de controle ainda não foram esclarecidas e só deverão ser apontadas pela investigação oficial.

Socorro não foi suficiente

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas imediatamente. Os dois ocupantes foram retirados com vida dos destroços e levados em estado gravíssimo para o hospital da cidade — de acordo com a prefeitura, o Hospital Beneficente Santo Antônio. Em razão da gravidade dos ferimentos, ambos morreram pouco depois de dar entrada na unidade.

A aeronave

O avião é um Van’s RV-7A, de prefixo PP-ZLC: um monomotor de dois lugares, de categoria experimental, muito usado por pilotos particulares em voos de lazer e, em algumas versões, em acrobacias. A aeronave foi fabricada em 2011 e, conforme o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), pertencia integralmente a Victor desde 6 de junho de 2023. A Anac informou que a situação cadastral do avião estava regular.

Quem era Victor Simões

Nascido em Manaus em 18 de julho de 1975, Victor era filho de Antonio Silva e de Norma Simões. Formou-se em Administração de Empresas pelo Jones College, em Miami (EUA), e acumulava mais de 15 anos de experiência nas áreas administrativa, financeira e de auditoria, com passagem por multinacionais e atuação em aquisições, incorporações e gestão de holdings e family offices. Também teve atuação na área de regulação de serviços públicos no Amazonas, conforme currículo apresentado à Assembleia Legislativa (Aleam).

O Grupo Simões, do qual era herdeiro e conselheiro, construiu boa parte de sua história na fabricação e distribuição de bebidas na Região Norte e participou, a partir da década de 1970, da expansão da Coca-Cola em Manaus e em outros mercados da região. O conglomerado também atua em outros segmentos industriais e de serviços.

Fora dos negócios, a aviação era a grande paixão do empresário. Em entrevista publicada em 2025, ele contou ter começado no ultraleve Super Petrel e passado por modelos como o Navion e o King Air até chegar ao RV-7, que dizia pilotar tanto em versão convencional quanto acrobática. Costumava voar nos fins de semana e era dono de aviões e de um helicóptero.

A outra vítima

José Ricardo Santana, de 58 anos, era morador de São Paulo (SP). Parte da imprensa o identificou inicialmente como sogro de Victor. Informações posteriores, publicadas pelo jornal A Crítica, de Manaus, indicam que ele seria pai do namorado de Victoria Pizzonia Simões Silva, filha do empresário e praticante de hipismo com medalhas em competições nacionais — a atleta que os dois foram acompanhar em Orlândia.

Investigação: o que se sabe e o que falta saber

Investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV), braço regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, foram acionados logo após a queda e realizaram a chamada Ação Inicial no local: coleta de dados, fotografias e análise preliminar dos destroços.

A apuração do Cenipa tem caráter preventivo — não busca culpados, mas os fatores que contribuíram para o acidente, como aspectos mecânicos, condições meteorológicas, fatores humanos e operacionais. Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo apura as circunstâncias da queda. Até a publicação desta reportagem, nenhuma causa havia sido oficialmente apontada.

Ainda não há respostas, por exemplo, sobre se a manobra registrada pelas câmeras foi intencional ou consequência de alguma falha da aeronave.

Comoção em Manaus

A morte repercutiu fortemente no meio empresarial e social de Manaus. Antonio Silva, pai de Victor, viajou a São Paulo após receber a notícia. Entidades de classe, parceiros comerciais e autoridades divulgaram notas de pesar e solidariedade às famílias Simões e Santana.

Em nota, o Grupo Simões lamentou a perda e informou que os detalhes sobre velório e sepultamento serão divulgados em breve.

FICHA DO ACIDENTE

Data e horaSexta-feira, 16 de outubro de 2026, por volta das 16h49
LocalPista do antigo Aeroporto Tangará, Fazenda Mosquito, zona rural de Orlândia (SP), região de Ribeirão Preto
AeronaveVan’s RV-7A, monomotor experimental de dois lugares, prefixo PP-ZLC, fabricado em 2011
ProprietárioVictor Simões da Silva (100% desde 6/6/2023, segundo o RAB/Anac)
Situação cadastralRegular, segundo a Anac
VítimasVictor Simões da Silva, 51 anos (piloto), e José Ricardo Santana, 58 anos
InvestigaçãoSeripa IV/Cenipa (prevenção) e Polícia Civil de SP (apuração criminal)
  • Horário divergente: um veículo (Em Tempo) cita 17h30; a maioria registra 16h49. Mantido 16h49.
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