Bosco Saraiva defende renovação da Zona Franca e uso sustentável das riquezas amazônicas
Ex-superintendente da Suframa destaca segurança nas fronteiras, avanços do Polo Industrial e o papel estratégico da Lei de Informática no futuro econômico do Amazonas

Experiência e visão política
O ex-superintendente da Suframa e pré-candidato a deputado estadual pelo PSD, Bosco Saraiva, foi o convidado do programa Meio Dia, exibido pelo D24 na última terça-feira (9). Conduzida pelos jornalistas Jefferson Coronel e Adriano Santos, a entrevista percorreu temas centrais para o desenvolvimento do Amazonas — da segurança pública nas fronteiras ao futuro do Polo Industrial de Manaus — revelando um político de trajetória sólida e posicionamentos claros.
Ao ser questionado sobre suas convicções, Saraiva foi direto: “Sou conservador. Defendo a família, a iniciativa privada e a liberdade religiosa como farol do mundo. São valores que equilibram a balança.” Para ele, esses três pilares sustentam o equilíbrio da sociedade brasileira.
Fronteiras vulneráveis: o desafio da segurança
Com passagem pela vice-governadoria e pela Secretaria de Segurança Pública durante a última gestão de Amazonino Mendes, Bosco Saraiva acumulou experiência direta sobre um dos maiores desafios do estado: a segurança nas fronteiras. Em contato com militares e agentes civis que atuam diariamente nos limites do Amazonas com países vizinhos, ele traçou um diagnóstico preocupante.
Segundo Saraiva, os rios amazônicos constituem a principal rota do tráfico internacional de drogas, servindo como corredor de distribuição para o Atlântico, o Pacífico e o Nordeste brasileiro. Para enfrentar esse problema, ele defende investimento robusto em recursos financeiros, tecnologia e efetivo humano qualificado.
Zona Franca em expansão: números e perspectivas
À frente da Suframa entre abril de 2023 e março de 2026, Bosco Saraiva vivenciou um período de crescimento expressivo do Polo Industrial de Manaus (PIM). Sob sua gestão, foram criadas mais de 131 mil vagas diretas de emprego. Nos dois primeiros meses de 2026, o faturamento do polo atingiu R$ 37,04 bilhões, consolidando o PIM como principal motor econômico do Amazonas.
O cenário de expansão continua. Estão previstas 200 novas plantas industriais até o final do ano, representando um crescimento de 30% no número de fábricas instaladas na região. Saraiva também destacou que o Distrito Industrial já opera no modelo de escala 5×2 de trabalho, antecipando uma tendência que o restante do país ainda debate.
Lei de Informática: o Amazonas como polo tecnológico nacional
Um dos pontos altos da entrevista foi a defesa apaixonada de Saraiva pelo potencial científico e tecnológico da Zona Franca. Para ele, a ciência não é apenas uma nova matriz econômica — é o legado mais duradouro do modelo.
O mecanismo que viabiliza esse salto é a Lei de Informática (Lei nº 8.248/1991), que concede incentivos fiscais e financeiros a empresas do setor de tecnologia em troca de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Atualmente, mais de 20 mil desenvolvedores atuam em 181 institutos de desenvolvimento vinculados à Zona Franca.
A partir de 2029, o cenário deve se transformar de forma ainda mais radical. “Essas empresas terão que se transferir para a Zona Franca de Manaus, pois aqui estará o recurso para o desenvolvimento das tecnologias. Teremos a capacidade de fazer tudo no Amazonas em escala industrial”, afirmou Saraiva.
Mineração e setor primário na pauta legislativa
Caso eleito deputado estadual, Bosco Saraiva prometeu colocar o debate sobre mineração e aproveitamento dos recursos naturais do Amazonas entre suas primeiras iniciativas — não apenas na Assembleia Legislativa, mas também nas escolas secundárias do estado. Para ele, conscientizar as novas gerações sobre o potencial e os desafios do setor primário é tão urgente quanto legislar sobre ele.
Por Marcos Sergio
