Últimas Notícias

Debate na Band Manaus foi entre Omar, Maria do Carmo, David e Mundurucu; os quatro candidatos presentes protagonizaram confrontos sobre saúde, segurança e educação

Roberto Cidade não compareceu ao encontro alegando risco jurídico, mas legislação eleitoral não condiciona a realização de debates ao início da propaganda

Quatro dos cinco candidatos ao governo do Amazonas participaram, na noite deste domingo (9), do primeiro debate das Eleições 2026, promovido pela Band Amazonas. Isael Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante) e Maria do Carmo (PL) protagonizaram confrontos diretos sobre saúde, segurança pública e educação ao longo dos cinco blocos do programa. O governador e candidato à reeleição Roberto Cidade (União Brasil) não compareceu: sua campanha alegou risco jurídico em participar de debates antes do início oficial da propaganda eleitoral, argumento que não encontra respaldo direto na legislação eleitoral vigente para 2026.

A ausência de Roberto Cidade

A decisão de Cidade foi comunicada por nota da coordenação de campanha à imprensa, cerca de 40 minutos antes do início do debate. No motivo  jurídico, a campanha afirmou que evitaria “debates ou sabatinas antes de 16 de agosto” — data de início oficial da propaganda eleitoral — enquanto ainda corre o processo de registro das candidaturas na Justiça Eleitoral

A justificativa jurídica, no entanto, não se sustenta na leitura direta da legislação em vigor. Debates promovidos por emissoras de rádio e TV são regulados pelo artigo 46 da Lei nº 9.504/1997 e pela Resolução TSE nº 23.610/2019, normas que tratam do convite, do sorteio da ordem de fala e da paridade de tratamento entre candidatos — sem vincular a realização do debate ao início da propaganda eleitoral.

A própria Resolução TSE nº 23.760/2026, que define o calendário eleitoral deste ano, reforça essa distinção: ao listar as vedações às emissoras de rádio e TV, como a proibição de tratamento privilegiado a candidatos, o texto abre exceção expressa para “programas jornalísticos ou debates políticos”. Na prática, debates são enquadrados como atividade de imprensa, e não como propaganda eleitoral, o que os desvincula da data de 16 de agosto.

O critério legal que efetivamente garante direito à participação em debates é a representação partidária na Câmara dos Deputados, cuja tabela, segundo a mesma resolução, deveria ter sido publicada pelo TSE até 20 de julho de 2026 — antes, portanto, da realização do debate da Band. Não há, na legislação eleitoral, exigência de que o início da propaganda seja pré-requisito para debates. Trata-se de uma leitura da lei vigente, e não de uma decisão judicial sobre o caso específico de Cidade: até a publicação desta reportagem, nenhum tribunal eleitoral havia se manifestado sobre a recusa.

Cinco blocos, três eixos temáticos

O debate foi dividido em cinco blocos, com perguntas do mediador, confronto direto entre os candidatos, questionamentos de jornalistas da Band Amazonas e da Rádio BandNews Difusora Manaus, e perguntas elaboradas por eleitores. Ao longo do encontro, os quatro presentes discutiram saúde, segurança pública, educação, agricultura, combate ao feminicídio e políticas para os povos indígenas — com trocas mais ácidas entre David Almeida e Maria do Carmo.

Bloco 1 — Apresentação e trajetórias

Na abertura, cada candidato apresentou o que o motivou a concorrer ao governo e quais experiências o credenciam para o cargo. Isael Munduruku disse pretender apresentar propostas diferentes das que considera ultrapassadas. Omar Aziz citou planos como a criação de uma cidade universitária e mencionou a ausência de Cidade. David Almeida destacou sua passagem por cargos públicos e os resultados de sua gestão à frente da Prefeitura de Manaus. Maria do Carmo ressaltou sua trajetória na área da educação e afirmou contar com o apoio da família Bolsonaro.

Bloco 2 — Confrontos diretos

O segundo bloco reservou perguntas diretas entre os candidatos. Questionado por Isael sobre o que faria em um novo mandato, Omar Aziz citou a construção de 21 hospitais no governo anterior e defendeu erguer mais oito unidades regionais; Isael rebateu dizendo que os investimentos em saúde ficaram concentrados na capital e defendeu a expansão do atendimento para o interior.

Na sequência, Omar cobrou David sobre segurança pública. David citou medidas tomadas quando foi governador interino e prefeito de Manaus; Omar, por sua vez, defendeu a ampliação do programa Ronda no Bairro, delegacias funcionando 24 horas e novos concursos para a área. David criticou a sobrecarga imposta aos policiais pelo programa e defendeu a integração das forças de segurança.

O confronto mais tenso do bloco ocorreu entre David e Maria do Carmo, sobre educação. Maria afirmou que sua trajetória no setor a credencia para governar o estado; David contestou e criticou obras e indicadores ligados à instituição de ensino associada à candidata. Maria respondeu que ainda busca financiamento para as obras e que pretende concluir as entregas com recursos próprios.

Para fechar o bloco, Maria questionou Isael sobre propostas para os povos indígenas. O candidato criticou políticas associadas ao governo Jair Bolsonaro e disse priorizar cultura, ensino e conhecimentos tradicionais; Maria rebateu criticando os governos do PT na área, e Isael reafirmou a defesa de políticas públicas voltadas aos povos indígenas.

Bloco 3 — Perguntas de jornalistas

Na saúde, David defendeu que os serviços de urgência e emergência não sejam terceirizados; Isael criticou o modelo atual de gestão hospitalar e disse que pretende assumir a administração das unidades pelo governo estadual.

Na segurança, Isael defendeu investimentos em inteligência e estrutura policial, enquanto Omar prometeu convocar mil policiais, abrir concurso para cinco mil vagas entre agentes e delegados e ampliar as ações de prevenção. A discussão sobre a origem dos recursos para essas propostas levou Omar a defender ajuste fiscal e revisão de contratos do governo. Maria criticou a atual administração e chegou a falar em uma “organização criminosa” que, segundo ela, estaria “dilapidando o estado”; Omar respondeu que o problema não seria falta de dinheiro, mas de gestão.

Na educação, Maria defendeu transformar as escolas estaduais em unidades de ensino integral. David citou ações de sua gestão na Prefeitura de Manaus e disse pretender replicar medidas semelhantes em todo o estado.

Bloco 4 — Perguntas dos eleitores

O quarto bloco trouxe questões enviadas por eleitores sobre combate ao feminicídio, educação, cumprimento de promessas de campanha e agricultura. Maria defendeu uma rede de apoio às mulheres, com delegacias e casas de acolhimento, para reduzir os índices de feminicídio; Omar também defendeu maior acolhimento às vítimas e disse que sua vice atuará na área.

Sobre educação, Omar e Isael defenderam melhorias na estrutura das escolas, valorização de professores e reforço escolar no contraturno. Questionado sobre promessas de campanha, Isael disse que pretende manter diálogo constante com a população e fortalecer conselhos para garantir participação na gestão.

A última pergunta do bloco tratou de agricultura. David apresentou propostas para o setor, entre elas uma fábrica de ração no interior. Maria questionou as ações apresentadas pelo adversário e voltou a citar a instituição de ensino ligada a ele; na réplica, David contestou a candidata e mencionou novamente a avaliação do curso de medicina da instituição.

Bloco 5 — Considerações finais

Com a cadeira de Roberto Cidade vazia, os quatro candidatos presentes tiveram três minutos cada para as considerações finais. Maria do Carmo pediu que os eleitores avaliem a situação das áreas prioritárias antes de escolher o próximo governador e apresentou sua candidatura como alternativa às gestões anteriores.

David Almeida afirmou que o Amazonas vive, na avaliação dele, seu pior momento em saúde, segurança e educação, voltou a criticar a ausência de Cidade e destacou ações de sua gestão como prefeito de Manaus. Omar Aziz defendeu valorização de professores, escolas em tempo integral, investimentos na produção rural, novos concursos na segurança pública, delegacias 24 horas e ações voltadas a dependentes químicos.

Isael Munduruku encerrou defendendo um governo baseado no diálogo com a população, no fortalecimento dos conselhos e na valorização dos servidores, além de propor a integração entre ciência e conhecimentos tradicionais como caminho para o desenvolvimento do Amazonas.

Receba mensagem no WhatsApp